CINQUENTA E TRES


MEUS SEGREDOS PEQUENINOS

Como seria interessante se cada um de nós conseguisse guardar a pureza da nossa infância em que os sonhos preenchiam o presente e o futuro que nós construíamos de mãos entrelaçadas.
Nesses sonhos não entrava a malícia, o lucro, a vaidade, o luxo ou o bem-estar, mas apenas o amor eternamente prometido até que a morte nos separasse.
Não pensávamos que pudesse não ser a morte mas a vida, entendendo-se vida como o trabalho, o ganha-pão, a carreira, as ambições despertas pelo percurso quotidiano que cada um de nós iria percorrer, que nos separaria.
E as juras que, na nossa pura infantilidade fizemos, ficaram para sempre na memória desses momentos de amor feliz e preenchido porque pedia pouco.
Nós não pedíamos mais do que nos deixassem viver aquele amor no embalo musical dos pássaros, do sopro do vento, do perfume das flores primaveris, acabadas de despertar como nós e, como nós, na mesma ânsia inocente de viver.
Jurámos amor como se as nossas pequenas e inocentes mãos pudessem conduzir o mundo, ou como se nos pudéssemos subtrair a esse mesmo mundo e às suas leis inexoráveis.
Como se os sapatos com que saltitávamos nos pudessem libertar de calcorrear as sendas de um destino, talvez pré determinado, ou imposto pelas circunstâncias, de qualquer maneira, impensável para nós naqueles momentos em que tão puramente nos amávamos.

J.N




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