Sofro de uma insegurança elementar. Estou sempre exposta a fatalidades das quais não consigo me defender, mesmo criando atalhos, pontes e casulos. Sempre tudo acaba numa tragédia interior, onde desperdiço a maioria do meu tempo.
E tento me reconstruir como ser humano; o que na maioria das vezes não é fácil. Dá muito trabalho.
E fiquei esta madrugada pensando no meu Nick: Borboleta_na_janela que escolhi aleatoriamente. Mas hoje eu percebo que há um medo enorme nele.
Por que não Borboleta_na-Sala, Borboleta_adiante, ou borboleta_na_varanda? È mais fácil estar do lado de fora, espreitar, para que dali, eu possa correr da situação... é bem mais fácil.
Já vi tanto Nicks pretensioso, mas que na verdade seguem a linha da nossa personalidade.
Como outro Nick que tenho: Fiz_seu_doce_predileto.
Por que não: Faça_meu_doce_predileto?
Não.
Tenho de estar sempre me dando, me oferecendo, fazendo.
Meu Deus! Eu não tinha dado conta disso! Nem em escolhas de apelidos eu me saio bem.
Ouvi dizer num livro que eu li sobre A alma com Osteoporose. “Tão mortal, quanto à pior doença: ataca a alma, deixando-a porosa e quebradiça como certos esqueletos".
E nestas palavras percebi que sou imutável, pois acho que já nasci desse jeito que sou. Alguns nascem fortes, eu nasci assim: um poço de choro e de sofrimento. Um peso inútil.
Deixo-me virar por águas da sorte ou da vontade alheia. Esta é minha derrota como ser humano.
Em síntese: eu me amo, mas não me admiro.
De qualquer forma, aprendi que sou complexa, intrigante, vulnerável e passível de engano e erro, mas também sei que sou uma maravilhosa máquina de afeto.
Às vezes penso que todos vão me trair, muitas vezes tenho medo, e freqüentemente me engano. Devo machucar quem eu amo, e certamente, me sinto ferida também.
Todos esses pequenos dramas são meus. Mais de um milhão de vezes quando pensei que tudo fossem maravilhosos, foi um fiasco. Quando imaginei um encontro, foi solidão. Quando quis um abraço, fui segregada. Ou então tudo isso aconteceu e eu não percebi.
E no cenário que é a minha vida, vou desejando ser sempre assim: complicada, mas amorosa, com todos os meus erros, falhas e manias, apreciando laços e afetos, me iluminando nessa sensação, de que afinal, mesmo assim como sou eu valho à pena.
Começa hora uma nova era, esperando que dentro das minhas grandes ou pequenas tempestades fique em mim, a memória de esperança, de amor e lealdade.
Domingo, fogão á lenha, meu canto, eu e as mulheres que há em dentro de mim.
SANDRA

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