Eu o tive entre meus dedos sobre meu olhar disperso mas incontestável. E preciosamente para mim, um deleite.
Nunca soube ser como ele, ou me permitir como ele. Apesar de inquieto, irritante, e teimoso, ele tinha um modus operantis pessoal: intransferível.
Nunca nos olhamos. Mas nossas almas falavam por si, e nos entendíamos, mesmo debaixo do emaranhado de palavras que por vezes não se cruzava. Éramos cúmplices, com carimbo de autenticidade. Até que vieram os frutos colhidos fora do tempo, onde um só coração caminhava entre razão, e o outro, entre o desejo. E achamos nosso abismo.
Eu bati milhares de vezes em sua porta, no intuito de cobrar dele, pelo menos nossa amizade, nossa cumplicidade, nossos amanhãs.
Pude perceber que sua porta estava trancada, cheia de amarras, correntes e cadeados , e que , em sua sala, que era onde eu me sentava, ali... a vida havia parado.
Não havia espaço entre o meu eu, e o eu dele. E nem as boas lembranças puderam escalar alguma coisa que ficou no pé da montanha. Era como que acima, no cume, alguém com uma “infinita bondade”, provocasse aquela queda de entulhos em cima de nós.
Sempre o pedi para que me observasse e eu a ele, que cuidássemos um do outro, que fôssemos à unha e a carne, e fomos por longos anos.
Mas depois eu percebi que ele queria ser só quer ser ELE . E não nós.
Que seu mundo, girava em torno dele, e que eu... por mais perto que eu tentasse estar, sempre estive distante.
O motivo? Não... não houve,por que além de tudo, havia amizade. E nem esta permaneceu na sua lista de identificações.
Quem sabe um dia nos perdoemos, e voltemos a nos grudar com a mesma leveza que nos levou a amar.
Sandra

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