VINTE E SEIS


A minha vida dava um filme escrito em  italiano, falado em mexicano e legendado em chinês. 
Não que eu me arrependa do eu fiz e faço dela , aliás, poderia ter feito muito, muito mais: ter tomado tantas outras atitudes que por certo me tornariam mais realizada. Mas a gente é quem escolhe quem quer ser. E fazendo essa opção, descartamos outras, por que fácil seria se pudéssemos abraçar tudo, cometer erros, voltar á primeira opção, amar na segunda... e por ai vai.
Quem dera pudéssemos ser um contrato de nós mesmos, renovável a cada seis meses! Eu por certo já me teria renovado um bilhão de vezes, e não seria a mesma nunca.
O pior de tudo isso é quando vc faz uma escolha: serei assim, e por um fato ou  outro, que vai enchendo nosso pote de angústia, nos transformam em seres rudes, perversos e maus.
E esta é atualmente a fase de minha vida.
Transformei-me, ou me transformaram. 
E tudo que eu tentar gritar pela mulher que sou não haverá resposta, pois já não serei eu. E fica a dúvida de como, porque, de onde eu vim ou pra onde estou indo. 
Dessas andanças nessa terra longínqua que me coloquei me sucumbi a amores mal interpretados, pessoas indesejáveis, criaturas hipócritas que não metem esforços para mentir ou abusar da minha vontade, falsas amizades, deliciosos amores, frutos saborosos, musicas encantadoras, livros inesquecíveis, poemas saborosissimos. E tudo foram ganho e perda. Nada de anormal até aqui. Vida comum...
Mas o que mais me chama a atenção nesta minha opção de encarar a minha própria vida é a falta de coragem que me abateu pra olhar pra cima, e gritar: Hei... calma lá. Se vc tem suas vontades, também posso ter as minhas, e esta invadindo meu território.
Quantas vezes deixei  de dizer isso, em detrimento da felicidade de outro.
E calada... só vendo, espreitando, como diz um amigo meu....escondida dentro de mim mesma.
E me decepcionei PROFUNDAMENTE. Por que eu sei quem eu sou, mas isso não me bastou. Eu estava tão cega por me carregarem pelas mãos, que quando me soltaram me perdi, e fui parar no mais profundo poço dos meus piores sentimentos.
Ficou o  apelo a mim mesma de que as coisas podem mudar, a vida segue adiante seu curso impecavelmente traçado, e eu estou nessa linha do tempo. Parei por hoje. Percebi tão inútil que eu tenho sido,e reconheço minha fraqueza, por que a maldade alheia me abafou.
E é decepcionante demais. Toda a minha vida eu  quis ser,independente, forte,e percebi que não sou nada disso.Sou um mero ser andante, que peregrina entre essas paginas em branco.
Reconhecer tudo isso, já é um grande passo para mudanças creio eu, e dizer aqui tudo isso não é lá muito agradável, mas por certo é o que eu mesma preciso ouvir de mim.
To gritando a mim mesma, apelando para a mulher que mora aqui dentro que REAJA.
Há mil razões para eu ficar e uma única para eu me abandonar.
Eu escolho a partir de agora a primeira opção.
Há de vir dias melhores.
Sou sim uma águia como me disse um dia uma pessoa.
E pela força e coragem que ela transmite coloco em mim, suas asas.
SANDRA

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